“Receita de bolo” não existe na iluminação

 

É recorrente nos cursos de iluminação residencial, perguntas clássicas, como: “qual é a melhor lâmpada para iluminar a bancada do banheiro?”. Ou “qual é a distância correta para iluminar o quadro?”. “Qual a altura de instalação para o pendente da mesa de jantar”?.

Esse bombardeio de questões, vem associado com o anseio de respostas prontas, como receita de bolo e para o desespero de muitos, respondo que lamentavelmente, não existe a tal receita.

Existem 02 pontos a serem pontuados: os fatores objetivos e os subjetivos daquele que está projetando o desenho de luz do ambiente. Chamo de fatores objetivos (externos) os elementos que precisamos colher para iniciar o trabalho. Ou seja: dimensões do ambiente, da superfície ou do objeto a ser iluminado. Assim como o estilo e as necessidades e desejos do cliente.

No que concerne aos fatores subjetivos (internos), penso em 2 vertentes: a primeira um alerta sobre não pressupor a funcionalidade exercida nos ambientes. Hábitos pessoais podem nos levar a erros na iluminação. O óbvio, muitas vezes, não é tão óbvio. Uma mesa de jantar muitas vezes não exerce somente essa função. A barba nem sempre é feita na área de bancada do banheiro. O local de dormir, nem sempre é numa cama, dentro do quarto. A área de convívio nem sempre está relacionada a um sofá. Então, investiguem bem para quem se está projetando e de que forma essas pessoas usam os espaços.

A segunda vertente subjetiva, refiro-me à forma que o lighting designer quer desenhar a luz para o projeto específico. Assim como um pintor tem pincéis e tintas, desenvolve técnicas e as aplicam de diversas formas, explorando ao máximo cada material. A iluminação não é diferente. Nossas luminárias e lâmpadas são nossos pincéis e tintas. E a questão é de que forma queremos aplicá-las? Criação é única!

Fujam das receitas prontas. Explorem o potencial dos materiais. Sejam curiosos. A arte e a técnica não são desvinculadas. Mas precisamos ser mais Lighting Designers (conforme definição), do que luminotécnicos. Pensem antes no desenho de luz, e depois nos dados técnicos.

E para os docentes que estão lendo esse texto, incentivem seus alunos à criatividade! É necessário o desequilíbrio da balança entre a “criação” e da “técnica”, para que haja movimentação constante entre essas área, girando a roda da arte de iluminar.

 

 

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