Iluminação Arquitetural – RGB x Mono

Hoje vamos falar sobre um assunto polêmico na área da iluminação urbana: destaque arquitetural e monumental.

 

Fonte: Color Kinetics (Degollado Theater/México)

 

Muito se discute no mercado sobre critérios (ou a falta deles) na iluminação de destaque para fachadas e marcos urbanos. Profissionais da iluminação, há muito tempo, divergem sobre o que é o mais “correto” no que diz respeito à escolha de técnicas, sejam elas monocromáticas (neste caso, luz branca), policromáticas (RGB) ou híbridas (Luz Branca + RGB).

Antes de mais nada, é preciso deixar claro que existem inúmeros exemplos bem-sucedidos em todas estas variações. O problema é o mau uso das técnicas e o desvio do propósito original.

Com a enorme liberdade proporcionada pela tecnologia LED, muitos “artistas da luz” acabam preocupando-se mais com o protagonismo da iluminação do que com o objeto a ser valorizado. Este, infelizmente, é um erro comum.

Vale ressaltar que a “iluminação de espetáculo” tem a sua importância e deve, sim, acontecer. No entanto, deve estar reservada a eventos e ações promocionais. Fora isso, a maior parte do tempo, o protagonismo deve estar voltado ao edifício ou à obra.

 

Exemplo de proposta monocromática (luz branca)

Fonte: Iguzzini   (Arch of Janus – Roma/Itália)

 

Exemplo de proposta policromática (RGB)

Fonte: Reuters (Cristo Redentor durante Jogos Olímpicos Rio’2016)

 

Exemplo de proposta hibrida (luz branca + RGB)

Fonte: Schréder (Chateau de Puilaurens / França)

 

A iluminação de destaque deve ter um contexto e, de preferência, “contar uma história”.

Um exemplo foi a proposta realizada no Coliseu de Roma, na Itália (vide imagem abaixo). A iluminação teve como conceito recriar a ambientação de seu funcionamento quando inaugurado, séculos atrás. A fachada recebeu uma iluminação monocromática de baixa intensidade simulando a luz do luar. Já, para a parte interna, foi adotada uma coloração próxima ao âmbar, fazendo referência ao fogo das tochas que iluminavam o local naquele tempo. Vejam, portanto, como a proposta luminotécnica pode ser rica, enaltecendo e respeitando a história da obra e sua relevância para o contexto urbano, aliando boa estética ao destaque responsável.

 

Fonte: Flickr (Coliseu de Roma/Itália)

 

Em fenômeno relativamente recente no Brasil, a iluminação urbana passou a ser utilizada como ferramenta de alerta e conscientização da população sobre assuntos diversos. Cada tema entre em pauta em seu mês específicos e cada qual é identificado por uma cor. Os mais conhecidos são o “maio amarelo” (prevenção de acidentes de trânsito), “outubro rosa” (conscientização do câncer de mama) e “novembro azul” (prevenção e combate ao câncer de próstata e ao diabetes).

Esse tipo de iluminação é o verdadeiro “fetiche” de prefeituras. Implementam soluções RGB em todos os pontos turísticos para satisfazer anseios de marketing e promoção do turismo de suas cidades.

A intenção é válida e, até certo ponto, compreensível. No entanto, muitas vezes, essas propostas são desenvolvidas por leigos em iluminação. Soma-se a isto a questão cultural de sempre iluminar o máximo de área possível com o mínimo de recursos. Isso acarreta em soluções visuais pobres e que são pouco interessantes. A obra ou edifício fica com aspecto “chapado”, onde a percepção da volumetria fica comprometida pela falta de contraste entre luz e sombra.

Para completar, o que era para ser temporário geralmente passa a ser permanente.

Todos estes fatores condenam a paisagem noturna urbana à uma situação medíocre, banal, que não se destaca em qualidade, valor ou originalidade.

 

Fonte: google (outubro rosa / novembro azul / maio amarelo)

 

Portanto, é razoável que sempre sejam feitos questionamentos antes da proposição de qualquer solução luminotécnica:

– O que será iluminado?

– Para quem será iluminado?

– Qual o propósito de ser iluminado?

– Qual mensagem pretendo passar?

 

Correto ou não, deixo a imagem abaixo para reflexão.

Fonte: Google

 

Até a próxima.

 

Juliano Bustamante

 

 

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